Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta: Dezembro 2005

terça-feira, dezembro 27, 2005

A estranha canção de Dezembro

Apago o tabaco acesso no meu querido corpo
E desvaneço ao som do vinho
Ausento-me do som! Rufos!
(Dei-me conta do frio)
As luzes velhas da estrada dançam no meu cortiço
Hoje e sou a voz ensanguentada de um corpo embriagado
Pedaço de Homem tatuado pelo ar que respirou
(Serei eu o prelúdio do fado que resta de mim?)
Marcha! Caio na estrada de rosto morto sem mãos e dedos
E recordo o beijo sensível na volúpia da noite
Dos que me amaram como um quadro sem pintura
Enquanto carregam em si toda a tristeza da minha alma
Como quem viveu o impossível e voou sem asas
E que a vós pertence como um leve e irónico arrepio
Que imutavelmente naufragou no lamento profundo
E hoje murmura no chão frio que outros calcam diariamente
Silêncio!
(A vós me confesso!)
Eu sou como meras palavras numa qualquer lápide cravadas
Pois ainda há beleza na morte e tudo é eterno se em vós estiver

sábado, dezembro 03, 2005

todos os olhos que pensam amam em vão

…agora?
Dói-me tudo só de pensar

Vi a morte tornar-se numa palavra
E por isso voei,
Voei longe deste amor

Rasguei o canastro e vesti-o
(Pela ultima vez)
Com roupa preta passada a ferro

(Frio por dentro, quente por fora)
Sou um homem complicado

Realço a cor dos meus olhos
Com um leve sombrear
E imprimo o rubro desejo
De alguém que um dia amou

Por isso murmuro a vós
E me confesso
Ausente do meu corpo
Olho-me por dentro incessantemente
Não tenho ambiçoes só desejos
(Dores provocadas pelo prazer)
Sou adepto - suicida
Do presságio que eras tu