Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta: Março 2010

terça-feira, março 23, 2010

O caminho ilustrado

(Há quatro dedos nasceu a sonhar)

Um pequeno menino fantasiou

Sem medo de acordar e sorver

Essa sua sede de abrir os olhos.

Tornou tudo em sonho

Estava tudo à sua frente

E encontrou um caminho.

Percorreu-o com saltos e sorrisos

Bebeu dos lábios da flor

E abrigou-se do frio da noite

Dengoso, encostado à lua.

Mas longe no trilho veio a tempestade

Arrastando tudo o que julgava ser seu,

O ar ficou impreciso e voou.


A poeira assentou e o menino também,

Mas por terra restara um balão

E o menino ficou confuso

E com os olhos fechados

Segurou o balão

E foi soprado para longe

Tão longe que perdeu o sorriso.


A paixão desse pathos foi abalada,

Ele não quis admitir mas abriu os olhos

E apesar de tamanha bondade

E da terna inocente simplicidade,

A sua fantasia perdeu-se no caminho.


Pobre menino não quis acreditar

Que tal ser puro pudesse sofrer,

Mas jurou a si mesmo uma grande fé

Até ser velho o seu coração.

Ele iria continuar a sorrir e cantar

E que tal sopro não o derrubaria

Até consumir o tempo de menino

No verdadeiro caminho para a felicidade.

sexta-feira, março 05, 2010

12

Torno-me um problema quando começo a escrever.

Quatro, três, dois, um,

Do outro lado da porta ficou um rapaz

Que agora voltou para outra vez entrar.

Tentei que ficasse lá fora, mas trespassou e

Com ele traz outra vez a incerteza e a dúvida,

Como um fantasma de uma guerra interna,

És tu, esse homem que escutou a minha morte.

Estava grato à não-lembrança mas hoje voltei

E já não sei se consigo ir à dita abertura

Para confrontar uma época de confusão e dor

Dada por aquele rapaz que me fez chorar

Esse verme que à luz me sorria

E na escuridão propiciava a minha morte.