Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta: Junho 2005

domingo, junho 12, 2005

..................Art extravaganza...

Eu sou a volúpia do beijo
(Imagem de arte dissecada)
A tua ténue essência
Perdido num segundo selvagem

Como tua segunda pele
Hospedo o teu corpo-casta

Deleito discreto na noite
– somos cães!
Perdendo o controlo sob um ruído metrópole
Molhado cântico arrebatado
(gritam coros!)
Num silêncio que nos une, funde e afasta

Ó! Belos túrgidos frutos que se tocam e abraçam
Esgotando fetiches na noite
Divagam cálidas danças tacteando fantasias
Perdidos no Nada (desflorados sob paredes frias)
Uivando amores sem vergonha
Brotando sob quatro barreiras sujas
Procurando toques sem conta

Ávidos animais rasgando cortiços dispersos no chão
Entrelaçam loucuras (eternizam desejos)
Lento e cáustico respirar húmido
Que se cheira e aspira mesmo estando ausente

E este poema de um morto
Lascivo, devasso, libidinoso
Que receava a morte mas não a loucura
Desapareceu depois de leres as últimas linhas
Pois tal desejo não tinha cura