Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta: Fevereiro 2005

domingo, fevereiro 06, 2005

Remédio lascivo

Enquanto estava no escuro
Eras prostituta ente perfeito
Bebida na tristeza da doença
Ébria no colo do amor seco
Gestos e olhos indecifráveis
Nebulosa, frágil bela
A tua essência me seduz
Minha puta controvérsia

Linda, tímida e agradável
Apareces no crepúsculo
Enfraquecendo agonias
Virgem, morres só do toque
Dos desejos, sémen e sangue
Junto à mesa quase escura
E em teu colo hoje me deito

Consumida: – Prostituta!

Traficas órgãos como licores
Deliras na alva do meu corpo
Mordendo êxtases macilentos
És a verdadeira ilusionista
Consumida em noites de agonia
Junto da mesa dos anseios
Irreconhecíveis pela cor

Somos mentira e arrogância
Eternizados no olhar do verso
Inalados na fome da masturbação
Recitando ilusões deterioradas
Perdidos entre um olhar e o outro
Riscando fósforos sobre o ímpeto
(Devassos sobre o amor momentâneo)
Causando nojo sobre mim mesmo
Enquanto eu estava no escuro lá fora
E tu junto à janela