Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta: Junho 2006

sexta-feira, junho 30, 2006

Serpente de mim

Cai a cinza das horas na cidade de fumo
Lágrimas servidas em cálices de sangue
Repousam na escuridão infinita do desejo
Recordando abertas sobre colchas e cheiros
Cemitérios de sede dos últimos sentidos
Melancolias rasgadas de olhos fechados
Remorsos de pele em abraços estendidos
Somos o tempo invisível entre o sol e a lua
Eutanásias de carne chorando o consolo
De terem o antídoto para o limiar da alma

domingo, junho 11, 2006

Semear a terra

Não foi esquecido o passado que conserva a palavra em silêncio
E que me devora a mim mesmo rasgando a carne a partir do tempo
Pois tenho parte das raízes descarnadas
Desenterradas num solo de acolhimento
A que permanecem perfeitas e confusas
Sentenciadas nesse leito ao crescimento
E o meu ser recrudesce neste eco tão louco
E solta-se da terra num rosto fogoso
Que sangra e arrasta a terra num beijo agudo
E te abraça num segundo no limiar de toda alma