Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta

Sábado, Outubro 28, 2006

Inspirações intensas

Preso no silêncio dos meus lábios
Caminho por entre o labirinto das tuas notas
E tomo como nossas as sombras que faço
Neste jardim sem limite antes das estrelas
Somos a verdade incurável (tu e eu)
Frias labaredas com tanto para queimar
Nos sopros finos que a vida nos deixa tomar
(Incessante musica em ardentes movimentos)
Soo por ti e pelas tuas notas pendentes
De sorrisos irónicos que corroem a solidão
Pois sem som, sou frio, fraco (resumido coração)
E abraço a melopeia outonal oculta que possuis
Pois eu sei que tu me aqueces
E só juntos, nós os dois seremos invencíveis!

Domingo, Outubro 22, 2006

Olhares constantes da Lua

Nesta eterna dança da mente
Ecoam corpos de amantes
Entre o compasso do fumo
No beijo do cigarro

Restos de voraz paixão
Devoragos e largados
Num chão de sangue
Como um eterno sonhar

Ó amor de estranha beleza
(Possuindo-te sem aqui estares)
Existe algo entre estes seres
Bordado de rara poesia?

Pois sinto um corpo aberto
Escorregando pelo outro
Num abraço só seu, sim!
De verdadeira alquimia

Sábado, Setembro 23, 2006

Seis

Debaixo da chuva
Ante o sossego da noite, do corpo e do tempo
Desço dentro de mim neste mar de silêncio
Apaixonado como se fosses carne e eu desejo, e
Trespasso o meu corpo pois mora em mim uma menina
Que destila nos meus lábios as gotas dos seu corpo aromático
E numa metamorfose espontânea de íntima noite
Nascemos a arder em trocas de sinceridade e lágrimas
Entre o pó de moldes de consanguinidade luminosa
De inocência e saudade em musicais de chuvadas
E abrigamo-nos em qualquer ponto do nosso corpo
Tornando-nos torrenciais e incandescentes rios
No seio do cimento da velha metrópole das luzes
Tecendo fortes e rasgados beijos dramáticos
Debaixo da nossa chuva

Sábado, Setembro 09, 2006

Moral

Sou o pássaro que voa despido de anseio sumido

Nesta alquimia de nuvens escuras e sons do mar

Que trovejam beijos neste corpo a saber a sal

Provocando arrepios nos espíritos que suspiram

Oh voos tingidos de prata pela lua que temos no ar

Pautados pela chuva que nos cai sobre os dedos, e

De olhos fechados sinto os suspiros do teu corpo

Nos versos da minha boca fundindo-se ao vento

Silêncio! No silêncio dos rostos criamos a universalidade

Mergulhada na poesia de beijos, toques e danças

Cravadas no chão do pensamento sufocado que unimos

Ingressamos e rimos, brotamos de corpos despojados

Em paredes rasgadas pelos ecos dos meus dedos

Içamos as velas de ventos e navegamos no tempo

Como corpos líquidos numa cúpula de palavras

Somos cativos do tempo do outro, somos letras

Desenhados em transparências num cálice de ardor

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Cartório das Palavras

Atrás de uma garrafa de vinho
Sacio-me num brilho novo que surgiu
E me faz divagar sobre os teus lábios
No silencio quebrado de doces melosas
Que falam em oco sob a pele falsa do mel
Embriagando-me em olhos cegos
Faringe
Laringe
Traqueia
Esófago
Estômago
Toma conta do meu corpo
E deixa-me ter-te este momento
Torna-te liquido no meu corpo
E em mil tempestades me transporta
Sob a nudez do meu corpo-teu
Ó musa das musas
Silencio de entardecer que me envolve
Grito de árvores
És ar em movimento
Nos confins desta alma alcoolizada
Pelo lindo silencio que me trazes
Nos últimos instantes da minha vida
Faringe
Laringe
Traqueia
Esófago
Estômago
Bebo-te intensamente e sacio a razão
Neste beijo leve de bramidos e sons
Como anunciando o final
Sinto num abraço o meu corpo-teu
Asperamente humedecido
A dar-te a mão neste ultimo beijo
Faringe
Laringe
Traqueia
Esófago
Estômago
E morremos feliz para sempre

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Pouso o arco nas cordas

Congelo por dentro na mordedura da serpente
E inspiro sem mais significados para a Vida
Sinto os vazios da mordida a dizer-se na pele
Sou hoje neblina da lua em nuvens sem chuva
Vivo, mas durmo na palavra descompassada
Perdi a minha sombra da luz (sem notas e sons)
Beleza e melodias que me eram complacentes
Este sabor forte de vertigem corre-me nas veias
E de garras afincadas transporta o meu corpo
Ceifando-me a cada instante que não te oiço
Sob o veneno repleto da inexistência do toque
Toco toadas (agudas preces, vontades de gritar)
Como quem ressuscita deste mar de silêncio
Ateio a fuga a este pensamento envenenado
E peço silêncio…
Ó sangue das minhas veias atende as minhas preces
Hoje eu só quero ouvir tocar a tua respiração!!!

Terça-feira, Julho 25, 2006

3 minutos antes da lua nascer

Que noite é esta que me acontece cá dentro?
Numa forma de perturbação indistinta
O silêncio soa bem mais que o próprio som

Este som que inquieta que não rasga nem peca
O caminho da vida que teima curvar para a morte
Aprazando-o com olhares frescos de eternidade

Acalmando-o dá conforto e dá vontade de viver
Só tu me ecoaste na derradeira pele que me liberta
Sob esta lua velada que esconde tal encantamento

Saro em ti feridas onde tempestades ocorreram
E vagueio a minha sombra no brilho da tua luz
Permitindo que o teu nome emocione estes versos

Nesta noite não sou nada, sim eu sei não sou nada!
Num som forrado de espinhos sangro este teu toque
E fecundo murmúrios por entre o vazio dos luares

Ó cinza fátua da incerteza – o que restou de mim?
Embalo no beijo fundo ecoado em chamas infinitas
E estendo um sorriso rendido sob o véu do céu polido

E cada noite ecoas ardente e sou tocado novamente
Imóvel ao sabor do vento soprado pela lua
Apenas silencio-me e contemplo o brilho do teu som

Volúpia de Inverno (veneno ténue e imortal)
Gritas excitante bem dentro deste meu sorrir
E num veneno a lábios imploro num sorriso a derrota
Nesta noite nossa que me acontece cá dentro

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