Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Maravilhoso sabor

No desfilar da noite, dou luz à alma nua

Enquanto o meu verso treme sorrindo.

Levo à boca um doce sabor achocolatado

Que lira no meu paladar o teu ai! de desejo.


Já senti o teu rosto, teu sorriso de menina

A sede açucarada de ti é a minha inspiração.

Quero o alegrar do cantar, o afecto do falar

E o aperto de mão banal que propõe ternura


Gemo um hm! (lábios doces que me derretem)

Não quero deixar o teu sabor na distância.

Quero alimentar a gustação da eterna doçura

Que eu consumo em silêncio, tremo sorrindo.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Incendio à chuva

Chove no aconchego dos lençóis da paixão

Agarro-me a ti (corpo frio e físico quebrado)


Faço do meu ser quente material de desenho

E esboço um doce beijo feito tinta lacerante


Pintamos rostos quentes sob asas nuas taciturnas

E tocamos cores tão pequenas sadias e seguras


Rasgados pelas gotas nos corpos e por desejos

Ambos gostamos da queda da chuva e dos corpos


Caímos e desfazemo-nos (fugaz paixão que pede a dor)

Chamas contornam linhas rubras sob o bater da chuva


Sorrisos, desejos, rasgam-se inteiros de cima abaixo

E numa note de amor acende-se um gracioso fogo

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Ensaio: O zero que cor tem?

A hora toca e é difícil enganar-se a ela própria
Eis que o desacerto no fundo sabido decide balancear
Adrenalina e dobles que não são toques do relógio.

Sinto na lua o bater do tempo presente e outro de memória

Numa briga sozinha num tempo presente e outro de lembrança
(Mas entre a causa e a comoção, dois toques não se deve ter).

E eu? Eu estou certo, comigo a hora bate mesmo certa
Porém incerto! Sem dúvida este compasso está trocado!
Mas certo! Sem ti o tempo não será mais o mesmo.

Lua, pergunto incessantemente o porquê sem obter resposta
Como se o descompasso te acontecesse por destino!
Porém o compasso só toca quando vós dois o planearam.

Levo as mãos à cabeça, faz um tempo que nos descobrimos ó lua
Sorrio! Pois nasceu em nós um novo lindo e espirituoso tempo
Mas lembra que só nos demos aos dois porque havia desejo.

Agora o nosso tempo está confuso, não se percebe a noite!
Penso em não mais olhar uma lua que outrora brilhou
E os meus dias ficam frios e as noites também.

Infelizmente, sei que a vida pode ter dois relógios
Mas olhar duas horas distintas é enganar o nosso tempo
E um dia lua, tu ficaste com dois nasceres de sol que não são iguais.

Não é fácil na cadência do compasso do relógio saber domar isso
Mas é insano jogar com o desejado tempo e não o combater
Pois tu e o pêndulo do outro relógio sabiam o que estava em jogo!

Jogaram! e eu sem nunca ter rezado hoje sou um ser religioso
Cerrei as mãos tremendo com fé considerando a lua
Pois esta não levou em conta a minha afecção por si.

Esconder um segundo tempo não é proteger a terra de desaparecer!
Mas é dar tempo a este outro tempo para ele crescer
E destruir as belas e frágeis estações do tempo que plantei a sorrir!

Este tempo anda esquisito, a chuva e sol não se entendem bem
Fazeres sol em Outubro é errado mas não é de outro planeta
Pois o verdadeiro tempo está na cultura que fazemos dele.

Hoje? Hoje é Outono, atravesso um novo fuso horário
Sinto que neste tempo, agora tudo escurece mais cedo
De Luz total e única, temo, sem querer ser repartido
Agora sou lusco-fusco num ensaio de abandonar a noite.

Domingo, Novembro 01, 2009

Irradiar o caminho

Desperto, olho pelo vidro sem vontade de chorar.

Lagos de névoa brilham cá no alto da montanha,

Brancos e cinzas queimados numa realidade fortuita.

Essência dos pinheiros aguados dispersos pelo ar,

Intromissões na minha alma que repousa do teu colo.


Amanheço (a luz passeia em mim
Sobre ângulos impossíveis durante a noite)


Invado um corpo recíproco de desejos incontidos,

Raio de sol de aroma eloquente que se erga exuberante.

Luz que queima os olhos, numa entrega de prazer,

Atiça a flor dos sentidos num aroma que renasce,

No brotar de um dia, numa quente manhã de Outono

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Depois de menino

Na penumbra da noite descanso sem rumo
Pensei ter encontrado uma razão para viver
Tal como antes, quando era uma pobre criança
Onde amarguei durante anos para hoje sofrer
E transformar a voz num silencio enclausurado
Dando-lhe vida fora de um lindo êxtase mutuo
E neste meu amargo fado de destino incerto
Discreto arrumo palavras escritas no coração
Encravo letras, lamento lágrimas de sangue
No anseio de soltar o sorriso mais belo perdido
Acostumado após a dor de menino

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Sorriso Cardiaco

Ofegante amanheço e respiro a minha história

Acordo no hospital, padece-me o corpo de escrever
Tomo aspirinas, paracetamol, e um fármaco qualquer
Danço na memória, naquele passado nunca esquecido
Danço tudo em mim, danço comigo mesmo, danço

Movo os meus olhos fechados à tua procura, lua
Luz que me abarcas, incendiando delírios e loucuras
Movimentos de luz sobre um corpo que se move
E dança, desenhando a noite e sorrisos de rostos

Risadas ecoando ao vento entre os galhos das árvores
E dançam, dançam tudo em mim e dançam comigo
Arrasto os pés descalços na relva na esperança de ser
Sombra de vento no meu movimento preso à terra

Raiz que baila, quebro-me incógnito na floresta
Sob uma chuva torrencial que não me deixa respirar
Procuro as gotas inclinando-me para o céu e sorrio
Grito como fera, embalo o corpo em paços estranhos

Conduzo-me passo a passo em teu encontro e abraço
Danço uma última vez, danço no seio agudo da terra
Num campo aguçado danço, descendo em espirais
Na esperança de ser harmonia numa paz universal

(Sacodem-me as drogas e acordo lento em susto)
Fraco, abro os olhos e vejo, hoje não danço mais
Sorrio, pois em tempos fui rocha, terra, ar e chuva
Dancei, dancei, dancei

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Sob o Impensável

Não consigo!
Não pretendo mais retomar o ponto.

Estarei eu agora morto?
Ate mesmo deus está morto!

Resta-me uns trocos e um cigarro partido
Garrafa de vinho no chão, borras no copo
Uma foto sem sentido faz de lua num quarto sem luz
Ensurdecido pelo som do computador

Só, caminho na prosa da languidez dos sentidos
Despertos pelo aroma de um incenso barato
Sou um último ordenado, mudo como um mosteiro

Inspiro este cheiro como um crime de êxtase

Tento sair da firmeza do fumo para viver a vida
E sinto o perigo de um grito lindíssimo invisível

Como o eco de uma batalha que já terminou
Desabo no tempo de um mundo que está em causa

Gritai, digo, Gritai!
(Ecoam imagens, figuras, por entre o olhar)

Não consigo chorar o nascimento da morte.