Resignação nua e violenta

Resignação nua e violenta: Novembro 2009

Domingo, Novembro 22, 2009

Renda Preta

Deflagro-me
Provoco excitações no embate do teu corpo,
Exaltações de prazer ou louvor que não cessam.
Não consigo parar este choque profundo do homem,
Que me cega a razão e me torna desejo e animal
(Sublime elevação da carne e do espírito).


Desafias-me
Provocas voltar a ter a ânsia que tens quando te tratas
(Belo corpo lavado que treme entre os seus azulejos).
Falamos conceitos num acto perverso de afecto.
Rasgamos num impacto molhado e metamorfoseamo-nos,
Unidos pelo ardor e pelo prazer dos gemidos e palavras.


Dominamo-nos
Loucuras de dois, chicoteiam-se num sublime acto único
(Mãos roídas que me apertam o quadril e rasgam).
Exaltas impulsos que agito dentro do teu ser,
Fervemos loucuras, movimento-me na ebulição,

Choramos e rimos não-palavras que são desejos!


Silêncio!
Embalados, num aperto amparamo-nos unidos.
Abrigas-te segura no abraço mais aconchegante da tua vida
(Selando quem mais te protege no leito da tua alma).

Pois entendes que é possível sustentar adversidades

Na protecção do mais intenso coração que te adora!


Quarta-feira, Novembro 18, 2009

A origem do salto

Olhando para vocês, diriam que sou poeta.

Aspirando em silêncio cada suspiro meu,

Perversos, escutam as minhas expansões.


Talvez já não me lembre, sou rua deserta,

Sombra de um piquenique calado e triste,

Duvido da minha origem, se foi uma morte.


Pedras de calçada queimam por lampiões.

Sinto presa na escuridão a tal melancolia,

Talvez de um anjo que alguém despertou.


Larguei as asas em prol da tua felicidade,

Murmurei imagens no teu cabelo escuro.

Tornei real, o sonho remoto de uma menina.


Como um bom vinho num copo só teu,

Numa cidade que só de ti tenho como bela.

Ó musa sombria que avivas as palavras em mim.


Caí do céu no pranto amargo da tua oração,

Toque que porta que reconheci como: é este!

Plantaste a semente de uma fadada sacra flor.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Banco de Jardim

Cidade de luz cinzenta matinal, faz frio cá fora.
Peles cobertas por lãs e tecidos variados, eles
Fogem das gotas da chuva e do alar do vento.
Contorcem corpos, arrepios, espasmos de ardor
Procuram locais próprios numa manhã de labor.

Encontro o verde a terra, na ventania da cidade.
Verde, a relva baila na brisa, chego ao jardim.
O castanho sujo do tempo deu lugar a outrem,
Tábua que me espera só, ouvinte dos homens,
Sento-me e escutas uma linda história de amor.


Seres apaixonados tomam-te como um deles.
Preto e tons encarnados compõem o assento.
Rostos descobertos, cigarro quente, mãos frias,
Lábios que se dão, cabelos desfeitos no tempo
E o abraço de um sorriso que sopra como o vento

Escutas os amantes, num sussurro com a brisa.
Germinando afectos e risos cada vez mais fortes,
Kaisekis voam juntos sabendo neles estar o caminho,
Acreditam que a brisa da vida é o momento
E o ar do seu amor um eterno minuto superior.

Domingo, Novembro 15, 2009

Se me distâncio

Não gozo a plenitude de outrora .

Senti-me muito perdido por matar os erros do tempo

Que queimam por não consiguir exprimir o quanto não aceito isto

Porém não há prantos ou tempo que parem este lindo dia

Mas dói, olhos que eu conheço parecem hoje feridas inteligíveis .

Sei que não consigo ver com olhos de ver através desta névoa

Mas não gosto

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Maravilhoso sabor

No desfilar da noite, dou luz à alma nua

Enquanto o meu verso treme sorrindo.

Levo à boca um doce sabor achocolatado

Que lira no meu paladar o teu ai! de desejo.


Já senti o teu rosto, teu sorriso de menina

A sede açucarada de ti é a minha inspiração.

Quero o alegrar do cantar, o afecto do falar

E o aperto de mão banal que propõe ternura


Gemo um hm! (lábios doces que me derretem)

Não quero deixar o teu sabor na distância.

Quero alimentar a gustação da eterna doçura

Que eu consumo em silêncio, tremo sorrindo.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Incendio à chuva

Chove no aconchego dos lençóis da paixão

Agarro-me a ti (corpo frio e físico quebrado)


Faço do meu ser quente material de desenho

E esboço um doce beijo feito tinta lacerante


Pintamos rostos quentes sob asas nuas taciturnas

E tocamos cores tão pequenas sadias e seguras


Rasgados pelas gotas nos corpos e por desejos

Ambos gostamos da queda da chuva e dos corpos


Caímos e desfazemo-nos (fugaz paixão que pede a dor)

Chamas contornam linhas rubras sob o bater da chuva


Sorrisos, desejos, rasgam-se inteiros de cima abaixo

E numa note de amor acende-se um gracioso fogo

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Ensaio: O zero que cor tem?

A hora toca e é difícil enganar-se a ela própria
Eis que o desacerto no fundo sabido decide balancear
Adrenalina e dobles que não são toques do relógio.

Sinto na lua o bater do tempo presente e outro de memória

Numa briga sozinha num tempo presente e outro de lembrança
(Mas entre a causa e a comoção, dois toques não se deve ter).

E eu? Eu estou certo, comigo a hora bate mesmo certa
Porém incerto! Sem dúvida este compasso está trocado!
Mas certo! Sem ti o tempo não será mais o mesmo.

Lua, pergunto incessantemente o porquê sem obter resposta
Como se o descompasso te acontecesse por destino!
Porém o compasso só toca quando vós dois o planearam.

Levo as mãos à cabeça, faz um tempo que nos descobrimos ó lua
Sorrio! Pois nasceu em nós um novo lindo e espirituoso tempo
Mas lembra que só nos demos aos dois porque havia desejo.

Agora o nosso tempo está confuso, não se percebe a noite!
Penso em não mais olhar uma lua que outrora brilhou
E os meus dias ficam frios e as noites também.

Infelizmente, sei que a vida pode ter dois relógios
Mas olhar duas horas distintas é enganar o nosso tempo
E um dia lua, tu ficaste com dois nasceres de sol que não são iguais.

Não é fácil na cadência do compasso do relógio saber domar isso
Mas é insano jogar com o desejado tempo e não o combater
Pois tu e o pêndulo do outro relógio sabiam o que estava em jogo!

Jogaram! e eu sem nunca ter rezado hoje sou um ser religioso
Cerrei as mãos tremendo com fé considerando a lua
Pois esta não levou em conta a minha afecção por si.

Esconder um segundo tempo não é proteger a terra de desaparecer!
Mas é dar tempo a este outro tempo para ele crescer
E destruir as belas e frágeis estações do tempo que plantei a sorrir!

Este tempo anda esquisito, a chuva e sol não se entendem bem
Fazeres sol em Outubro é errado mas não é de outro planeta
Pois o verdadeiro tempo está na cultura que fazemos dele.

Hoje? Hoje é Outono, atravesso um novo fuso horário
Sinto que neste tempo, agora tudo escurece mais cedo
De Luz total e única, temo, sem querer ser repartido
Agora sou lusco-fusco num ensaio de abandonar a noite.

Domingo, Novembro 01, 2009

Irradiar o caminho

Desperto, olho pelo vidro sem vontade de chorar.

Lagos de névoa brilham cá no alto da montanha,

Brancos e cinzas queimados numa realidade fortuita.

Essência dos pinheiros aguados dispersos pelo ar,

Intromissões na minha alma que repousa do teu colo.


Amanheço (a luz passeia em mim
Sobre ângulos impossíveis durante a noite)


Invado um corpo recíproco de desejos incontidos,

Raio de sol de aroma eloquente que se erga exuberante.

Luz que queima os olhos, numa entrega de prazer,

Atiça a flor dos sentidos num aroma que renasce,

No brotar de um dia, numa quente manhã de Outono